quarta-feira, fevereiro 16, 2005

Não Luto

O primeiro problema da proclamação de Luto Nacional, derivado da morte da irmã Lúcia, vem do facto de, ao aceitar-se um eventual relevo Nacional à sua morte, este se dever a uma afirmação de Fé. O Primeiro-Ministro fê-lo descaradamente. Aliás, muitas são as vezes em que invoca Deus no seu discurso. Por omissão, o Presidente da República (do qual já nada se espera), aceita pacificamente esta afirmação de Fé feita em nome de todos os portugueses. Ora isto colide frontalmente com o princípio não-confessional e laico de Portugal.

Remeto-vos para a leitura do Padre Mário de Oliveira em “Fátima nunca mais”, em que afirma claramente que o “milagre” de Fátima não faz parte do núcleo de afirmação católico, ou seja, a não-aceitação de Fátima, não implica que se seja não-católico, o que nos leva a ver que nem todos os católicos percebem bem esta proclamação.

O segundo problema tem como origem uma questão histórica. É unanimemente reconhecido que a Igreja Católica foi, por altura do Estado Novo, um dos seus principais pilares; o acesso que tinha a todos os estratos sociais do Portugal de então, permitiam-lhe funcionar como um veículo das doutrinas políticas de Oliveira Salazar.

O “milagre” de Fátima (e os seus “segredos”) funcionou principalmente como método de luta anti-comunista, como fenómeno de indução de medo religioso, e até como método de controlo social.

Ora a Irmã Lúcia foi um dos seus criadores e fomentadores. Recorde-se a sua frase em que “Salazar é a pessoa por Ele escolhida para continuar a governar a nossa Pátria ”.

O Estado Democrático Laico e Não Confessional, está a agraciar alguém, que no limite, pugnou para que assim não fosse